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Soturnos
lugares, rasgados por riscos de luz, onde na penumbra actuam
personagens solitárias cujos gestos e feições se escondem
por entre o esfumado do claro-escuro.
Ambientes vaporosos feitos de sombras. Saliências pouco claras
traduzem os contornos pontuais da iluminação incidente.
Horas a fio vão escorrendo pelos canos refrigerados das serpentinas
de alambiques. O fruto fermentado que, em ebulição, evapora
na hermética panela da caldeira de cobre. Matéria volátil
que se transforma. Fonte de dionísicos odores. Vaporizações
incolores que condensadas se precipitam vagarosamente para
o interior da infusa.
Venerações terrenas, ébrias orações que se nos avizinham pela
sábia oralidade dos anos passados. Léxico de um povo. O fogo
que ilumina, aquece e transforma dando origem a uma nova matéria:
a Aguardente - Éden etéreo. Actividades ancestrais onde a
conjugação dos quatro elementos sintetizam uma busca incessante.
- A do cristalino soro da fidelidade. Alquimia que desenha
os quentes caminhos do calor da alma. Génese da devoção liquefeita.
A pluralidade de atitudes face ao novo composto. Líquido mágico
que alegra e entristece. Genuína nascente de amizades e discórdias.
Fluido da inalterável, sinuosa, essência humana. Quimérica
chama efémera.
Pecados singulares de uma vida lenta, orquestrada pelo silêncio
das noites e a calma dos dias, nos recônditos vales de serras
férteis.
A minuciosa atenção constante controlando alquimicamente o
processo de origem de um novo elixir, não o da longa vida
ou da existência eterna mas sim o da alma ardente.
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