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As
ondas quebram-se ao longe contra as extremidades das rochas.
O efeito de turbilhão causado pelo seu impacto atrai o olhar.
O nevoeiro é intenso, denso. Mal se conseguem discernir alguns
vultos que parecem aparecer e desaparecer. Por momentos penso
ser ilusão…, um jogo de sombras que induz em erro. Olho melhor
e vejo algo entre a espuma que resulta do impacto das ondas,
e a bruma que teima em permanecer enquanto o dia aparenta
estar ainda adormecido. São homens vestidos de negro que vão
e voltam parecendo querer imitar o fluxo do mar. Que fazem
eles?!… Parecem armados, de lanças ou espadas… - Por momentos
o anacronismo toma lugar e a mente viaja até à Idade Média,
onde guerreiros desembainham a sua espada contra invasores,
inimigos…- Avanço, e mais próximo vejo rostos, são homens
que trabalham, que ganham o seu sustento, desafiando o mar
onde ele é mais feroz.
Assumem posturas de luta em confronto com um inimigo desigual,
traiçoeiro,… mas tolerante. Entram e saem de fendas na rocha
com enorme ligeireza, assemelhando moldar-se ao espaço. No
meio de algas penduradas aparentam fundir-se com o meio, sendo
difícil determinar o fim da rocha e o começo do homem. Actuam
no limite, onde a terra e o mar se unem de forma conflituosa,
parecendo querer reclamar para si a linha que os separa. É
aqui que se encontra o campo de batalha dos "percebeiros".
Como homens do mar que são, conhecem-no como só eles sabem…
Olham-no e determinam quando é ou não possível "fazer a maré".
Ao ritmo do mar e do clima, em sintonia com as fases da Lua,
assim pautam a sua vida, os "Guerreiros do Mar".
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